www.elumiere.net

ACONTECIMIENTOS 2013

PAULO CUNHA

 

 

 

Se Eu Fosse Ladrão… Roubava, (Paulo Rocha, 2013).

 

Tal como no ano passado, socorro-me da minha cronologia para destacar o que mais me ocupou ou que mais me chamou a atenção. Atenção, são escolhas altamente subjectivas.

 

2013

Janeiro. Em Lisboa, a Cinemateca Portuguesa organiza Foco no Arquivo, uma série de actividades em torno do trabalho do arquivo e de conservação patrimonial: ciclos, debates, projecções e uma exposição.

 

Fevereiro. Em Berlim, Terra de Ninguém de Salomé Lamas e A Batalha de Tabatô de João Viana são distinguidos na Berlinale.
Em Coimbra, decorre a segunda edição do Seminário de trabalho sobre Cinema Português, que reúne investigadores com trabalhos em curso em várias áreas científicas.
Psycho de Alfred Hitchcock regressa às salas portuguesas em versão restaurada.

 

Maio. Em Lisboa, na Culturgest, Laura Mulvey e Ismail Xavier participam numa sessão dedicada às várias vidas da imagem cinematográfica.

 

Junho. Em Lisboa, a Cinemateca do Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian estreia mundialmente Kadjike, a última longa do guineense Sana na N'hada. Luís Mendonça e Sabrina D. Marques entrevistam o cineasta português Eduardo Geada (http://apaladewalsh.com/2013/06/28/eduardo-geada-o-cinema-era-um-modo-de-compreendermos-a-vida-parte-i/).

 

Julho. Em Vila do Conde, na 21.ª edição do festival internacional Curtas Vila do Conde, João Nicolau e Telmo Churro apresentam as suas recentes curtas Gambozinos e Rei Inútil, respectivamente, e reforçam uma nova tendência no cinema português contemporâneo que ganha seguidores entre as novas "gerações curtas".

 

Agosto. Em Locarno, são apresentados dois dos filmes mais aguardados do ano: Se eu Fosse Ladrão... Roubava, o último filme de Paulo Rocha, e E Agora? Lembra-me, o surpreendente pedaço de vida de Joaquim Pinto e Nuno Leonel.
Para grande espanto e regozijo, encontro e compro, num alfarrabista online, uma rara edição em DVD do filme O Passado e o Presente (1972) de Manoel de Oliveira. O filme não teve circulação comercial nesse suporte, mas uma marca de sofás patrocinou uma edição limitada do filme em DVD para presentear os seus clientes e fornecedores.

 

Setembro. Yasujiro Ozu volta às salas de cinema portuguesas em cópias restauradas: Viagem a Tóquio (1953) e O Gosto do Saké (1962).
Em Fortaleza, no Brasil, a 23.ª edição do CineCeará é dedicada ao cinema português contemporâneo. Mostram-se filmes, conversa-se com cineastas, organiza-se um seminário e lança-se Cinema Português: Um Guia Essencial, publicação que tive o prazer de co-organizar com Michelle Sales.

 

Setembro e Outubro. No Rio de Janeiro, o Festival do Rio apresenta, entre outras preciosidades, Lacrau de João Vladimiro. A sala está cheia.

 

Outubro a Dezembro. Em Lisboa, a Cinemateca Portuguesa promove uma retrospectiva integral de Frtiz Lang.

 

Novembro. Passam 50 anos da estreia de Os Verdes Anos, de Paulo Rocha. No Fundão, em Portugal, a Associação Luzlinar promove o ciclo de cinema Filmes Proibidos: são exibidos filmes portugueses esquecidos dos anos 70 e 80 e estão presentes diversos realizadores, entre os quais Manuela Serra e Eduardo Geada.
Em Lisboa, a Cinemateca Portuguesa apresenta Almada, Um Nome de Guerra, um mixed media de Ernesto Sousa, composto por várias projecções fílmicas e projecções de slides em simultâneo e por uma elaborada componente sonora, que combina a música de Jorge Peixinho com a voz de Almada Negreiros.
Também em Lisboa, inicia-se o ciclo de cinema/seminário Harvard na Gulbenkian - diálogos sobre o cinema português e o cinema do mundo, que propõe cruzamentos entre filmes e autores portugueses e estrangeiros.

 

Dezembro. Em Lisboa, a Midas e a Casa da Imprensa anunciam uma parceria para reabrir ao público o Cinema Ideal, a mais antiga sala de cinema portuguesa e uma das mais antigas do mundo. Os promotores prometem que o novo Ideal será uma sala vocacionada para o cinema português.
Também em Lisboa, mas no Centro Cultural de Belém, integrado no Festival Temps d'Images, é apresentado o espectáculo A importância de ser António de Macedo, com direcção artística de Miguel Bonneville e que pretende cruzar a obra do cineasta português homónimo com outras formas de expressão artística.

 

 

Paulo Cunha é historiador, cineclubista e cinéfilo.